Julho chegou com dias mais frios, escolas em recesso e corações ainda mais dispostos a levar calor. E este mês teve um sabor especial: foi o primeiro mês com os 16 novos integrantes que se formaram em junho, prontos, uniformizados e já nas escalas da Trupe. Enquanto muitos aproveitavam as férias, nossa trupe não parou: 32 plantões realizados, 8 unidades de saúde visitadas, e 2.116 pessoas que encontraram, nem que fosse por alguns minutos, um motivo para sorrir.
Este mês foi marcado por estreias, reencontros e frases que ficam para sempre guardadas no coração de quem as ouviu. Com mais integrantes, ampliamos nossa presença — o Pró Criança e o HRAT ganharam mais visitas, e passamos a atender o CSI de Itaquaquecetuba e o CAPS Infantil pela primeira vez. Aqui está o nosso relatório mensal — nossa forma de prestar contas a quem acredita e apoia esse trabalho.
Os números de julho
| 🎭 Plantões realizados | 32 |
| 🏥 Unidades de saúde atendidas | 8 |
| 👶 Crianças atendidas | 369 |
| 🧑 Adultos atendidos | 406 |
| 👴 Idosos atendidos | 270 |
| 👨👩👧 Acompanhantes atendidos | 535 |
| 👩⚕️ Equipe técnica atendida | 536 |
| ✨ Total de pessoas impactadas | 2.116 |
Onde estivemos
Em julho, a Trupe do Riso esteve presente nas seguintes unidades de saúde:

- AME – Ambulatório Médico de Especialidades — 5 plantões
- CAPS Infantil — 4 plantões (nova unidade!)
- CSI Itaquaquecetuba — 4 plantões (nova unidade!)
- HRAT – Hospital Regional do Alto Tietê — 5 plantões
- Hospital Dr. Arnaldo – Casas Carville — 1 plantão
- Hospital Dr. Arnaldo – Infectologia — 1 plantão
- Luzia de Pinho Melo — 6 plantões
- Pró Criança — 6 plantões
5 histórias que o riso escreveu
1. A estreia que emocionou o HRAT

No dia 2 de julho, o Hospital Regional do Alto Tietê recebeu a estreia oficial dos novos palhaços hospitalares Romeu (Leonardo), Malagueta (Patrícia) e Xodó (Elaine) — três dos 16 novos integrantes que se formaram em junho e que, a partir deste mês, fazem parte das escalas regulares da Trupe. Mesmo com pouca experiência prática, os três demonstraram uma sensibilidade que surpreendeu a todos — veteranos inclusive.
O momento mais marcante foi relatado pelo palhaço Jecaberaldo (Claudio): ele encontrou um paciente que, na infância, morou em uma rua onde viviam vários palhaços. Quando se deparou com eles ali no hospital, o homem se emocionou profundamente. Às vezes, a alegria que levamos a um paciente vai muito além do momento presente — ela acorda memórias que ele julgava esquecidas.
2. A Beatriz que não sorria

No CAPS Infantil, durante o plantão do dia 6, os palhaços Tuli Tulá (Adriana) e Curió (Igor) encontraram uma jovem chamada Beatriz. Seu pai, ao ver a filha interagindo, veio até eles e compartilhou algo que os tocou fundo:
“Ela dificilmente se abre com alguém. Os amigos dela são só das redes sociais. Ela não sorri, não dá risadas no dia a dia, é muito fechada.”
Com a Trupe, Beatriz se abriu. Deu risadas. O pai os agradeceu emocionado. Esse é o tipo de momento que nenhuma estatística consegue capturar, mas que justifica cada fantasia vestida, cada nariz vermelho colocado.
3. A história certa para a pessoa certa
Na Luzia de Pinho Melo, as contadoras de histórias encontraram um plantão tranquilo, cheio de presença e escuta. Os quartos estavam repletos de acompanhantes, e havia pacientes habituais que já aguardavam — não pelos médicos, mas pelas histórias.
Em um dos quartos, a contadora Néia narrou um conto sobre um sábio cego. Ao terminar, os outros pacientes do quarto fizeram um comentário carinhoso: havia alguém que ia adorar ouvir aquela história — um homem que naquele momento estava no banheiro. Ao saírem do quarto, as contadoras olharam para trás. O paciente acabava de sair. Era cego.
Ninguém precisou dizer nada. A história já havia escolhido quem deveria ouvi-la.
O plantão seguiu assim — com entusiasmo, reflexão e uma sequência de agradecimentos que aqueceu o coração de cada uma. Nenhum paciente recusou uma história. Entre eles, uma professora de história que também era poetisa — e que, em vez de só ouvir, tinha histórias próprias para contar, devolvendo à equipe o mesmo afeto que recebera.
Dias assim lembram por que vale a pena fazer parte deste trabalho.
4. “Posso estar doente, mas sou sempre feliz”
No HRAT, em 23 de julho, os palhaços visitaram a ala dos adultos e chegaram ao quarto de dona Margarida — uma pessoa que, segundo a equipe, ilumina qualquer espaço em que entra. Ela usava esmaltes cor de rosa e participou de cada brincadeira do início ao fim.
Na hora da despedida, a palhaça Xodó disse a ela para que continuasse sempre com aquela alegria. Dona Margarida respondeu com uma frase que ficou gravada no coração de todos:
“Sempre fui assim. Posso estar doente, mas sou sempre feliz.”
Às vezes, somos nós que saímos dos plantões mais curados do que entramos.
5. A Tay que tinha medo de palhaço (e virou fã)
No CAPS Infantil, no dia 15, os palhaços Groselha (Ana Cristina) e Polentica (Ilda) souberam antes de entrar que havia uma funcionária chamada Tay com fobia de palhaço. A solução? Conversar com ela à paisana, sem caracterização, criar um vínculo humano antes do personagem.
Depois de colocarem os figurinos, esperavam encontrá-la distante. Mas Tay fez questão de esperar por elas. Ficou radiante ao ser chamada pelo nome. E, claro, apaixonou-se pelo sapato da Groselha.
Na mesma visita, o pequeno Romeu, de 5 anos, acreditou com toda convicção que as palhaças tinham chegado de balão. E a sessão terminou com pacientes, funcionários e até pessoas do prédio vizinho, todos juntos, numa espontânea dança junina no corredor.
Uma nova casa: bem-vindo, CSI Itaquaquecetuba!

Julho também marcou o início das visitas ao CSI Itaquaquecetuba, uma nova parceria que começou com o pé direito — e muitas risadas. Na primeira visita, os palhaços Suvaco (Deivid) e Miloca (Érica) ensinaram toda a equipe técnica e as crianças a “fazer o pum com elegância”, resultando em um festival de gargalhadas que tomou conta da recepção. Uma criança correu para abraçá-los assim que os viu. Em poucos minutos, mais de 50 pessoas já tinham sido impactadas.
Essa foi só a primeira de muitas visitas que virão.
Coral de Palhaços de Natal: os ensaios começaram!
Julho também marcou o início de um projeto especial: os ensaios do Coral de Palhaços de Natal da Trupe do Riso — o maior coral de palhaços do Alto Tietê. Com a chegada dos novos integrantes, este é o ano certo para fazer esse projeto decolar. Os ensaios reúnem nossos palhaços em torno da música, preparando um espetáculo natalino que promete levar ainda mais alegria até para quem não está em uma unidade de saúde.
Ukulelê para todos: novas habilidades, mais alegria nas visitas

Mais uma novidade de julho: a Trupe passou a oferecer aulas gratuitas de ukulelê para seus integrantes — palhaços e contadores de histórias. A ideia é simples e poderosa: quanto mais ferramentas a equipe tiver, mais rica é a experiência para os pacientes. Música, riso e história — juntos, formam o kit completo do cuidado que a Trupe leva a cada plantão.

A Trupe do Riso é uma ONG de palhaçaria terapêutica de Mogi das Cruzes. Nosso trabalho é realizado por voluntários e profissionais que acreditam no poder do riso como instrumento de cuidado e humanização. Se você também acredita nisso, considere nos apoiar.
Até o próximo mês! 🎭❤️
